Pela primeira vez na história do escritório, a Foster + Partners — banco de arquitetura britânico fundado por Norman Foster, responsável por projetos como o Millennium Bridge e a sede da Apple em Cupertino — assina um empreendimento residencial no Brasil. E o endereço escolhido não foi São Paulo nem Rio: foi a Praia Brava Norte, em Itajaí.
O projeto: Tempo by Müze
O Residencial Tempo Praia Brava é da incorporadora Müze — formada pela união de ZAH Empreendimentos, Nastás Engenharia e F2M Empreendimentos Imobiliários —, com arquitetura assinada pela Foster + Partners. David Summerfield, diretor do estúdio responsável pelo projeto, resume a proposta assim: "o Tempo captura o espírito dessa paisagem vibrante — a natureza atravessa cada parte do projeto". São sete torres residenciais dispostas em formato de anfiteatro natural — layout pensado pra garantir vista de mar ou montanha pra praticamente toda unidade, em vez do modelo tradicional de torres enfileiradas de frente pro mar.
A localização também joga a favor: são cerca de 6,5 km até o centro de Balneário Camboriú, 7,5 km até o centro de Itajaí e 12 km até o Aeroporto de Navegantes — ou seja, isolamento da paisagem sem abrir mão de proximidade prática do dia a dia.
Os números que colocam o projeto noutra categoria
- Apenas 83 apartamentos no total, de 400 a 800 m² privativos
- Coberturas de até 1.200 m²
- VGV estimado em R$ 2,5 bilhões
- Lançamento previsto para 2026, entrega prevista para 2029
Pra dar uma ideia de escala: dividindo o VGV estimado pelas 83 unidades, o ticket médio bruto giraria em torno de R$ 30 milhões por apartamento — deixando claro que a proposta não é volume, é exclusividade extrema.
A torre do Hotel Emiliano
Uma das sete torres será dedicada a um Hotel Emiliano de seis estrelas — o primeiro da marca em Santa Catarina, com 47 suítes. Empreendimentos com torre hoteleira de marca internacional dentro do próprio complexo têm um efeito prático direto pro morador: acesso a serviço de hotelaria (concierge, governança, gastronomia) sem sair do residencial, o modelo que o mercado chama de "serviced living".
Por que a Praia Brava Norte, de novo
Não é coincidência esse ser o segundo grande projeto que colocamos em destaque na região em pouco tempo. A Brava Norte tem baixa densidade construtiva por determinação do Plano Diretor de Itajaí, preservação de restinga e escassez de terreno — exatamente os fatores que atraem esse tipo de arquitetura assinada internacional, que busca terreno amplo e paisagem preservada, não lote apertado em meio a dezenas de torres.
O que fica de lição pra quem acompanha o mercado
Quando um escritório do porte da Foster + Partners escolhe estrear no Brasil numa praia de Itajaí — e não em uma capital — isso é um sinal de mercado forte: a região já é lida internacionalmente como praça de alto padrão consolidada, não emergente. Projetos desse porte tendem a puxar o patamar de preço de toda a vizinhança pra cima, o efeito conhecido como "âncora de valorização".
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