Tiago Lima
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Multipropriedade: como um imóvel pode ter até 52 donos — e abrir o litoral pra quem achava que não cabia no orçamento

Dicas & Tendências · 31/07/2026 · 4 min de leitura · por Tiago Lima

Neste artigo
1. Por que essa é a pergunta que investidores menores fazem2. O que é multipropriedade3. A regra dos 7 dias — e por que isso permite até 52 donos4. Cada fração tem matrícula própria5. Se um multiproprietário tiver uma dívida, o que acontece6. Direito de preferência: a pegadinha do contrato7. Na prática: o que perguntar antes de comprar uma fração8. A diferença que isso faz na carreira do corretor

Um mesmo apartamento de frente-mar pode ter, legalmente, até 52 donos diferentes — cada um com sua própria matrícula individual no cartório. Não é irregularidade, é um regime criado por lei específica, e está crescendo forte no litoral catarinense. Chama-se multipropriedade.

Por que essa é a pergunta que investidores menores fazem

Compara as duas cenas abaixo — o mesmo orçamento apertado pra um imóvel de frente-mar, dois corretores diferentes:

O que é multipropriedade

Regulada pela Lei 13.777/2018, que alterou o Código Civil (arts. 1.358-B a 1.358-U) e a Lei de Registros Públicos, a multipropriedade é o regime em que vários donos compartilham o mesmo imóvel, cada um com direito de uso exclusivo numa fração de tempo fixa do ano — a mesma semana de fevereiro, por exemplo, todo ano. Fora do Brasil é chamada de "time-sharing" ou fractional ownership, mas aqui virou propriedade de verdade, não só direito de uso.

A regra dos 7 dias — e por que isso permite até 52 donos

A lei define que cada fração de tempo precisa ser de, no mínimo, 7 dias (seguidos ou intercalados). Como o ano tem 365 dias, isso significa que um único imóvel pode, na teoria, ter até 52 multiproprietários diferentes — cada um usando sua semana. Na prática, a maioria dos empreendimentos vende frações maiores (2, 3, 4 semanas), o que reduz o número de donos por unidade.

Cada fração tem matrícula própria

Esse é o detalhe que dá segurança jurídica de verdade ao comprador: além da matrícula do imóvel como um todo, o cartório abre uma matrícula própria pra cada fração de tempo. É nela que ficam registrados o dono daquela fração, ônus, penhoras e qualquer ato jurídico — como se fosse um imóvel independente, só que com o direito de uso limitado àquele período do ano.

Se um multiproprietário tiver uma dívida, o que acontece

Aqui está outra proteção importante: se um dos multiproprietários for executado numa dívida pessoal, só a fração dele pode ser penhorada — não o imóvel inteiro. A jurisprudência já reconheceu esse princípio: uma penhora que tentou atingir o imóvel todo foi revertida justamente porque cada fração é um bem juridicamente independente.

Direito de preferência: a pegadinha do contrato

Diferente do que muita gente assume, não existe direito de preferência automático entre os multiproprietários na hora de vender uma fração — cada um pode vender pra quem quiser, na regra geral. Esse direito só existe se o instrumento de instituição ou a convenção do condomínio estipular isso expressamente. Vale ler essa cláusula com atenção antes de comprar, principalmente se a intenção é revender no futuro.

Na prática: o que perguntar antes de comprar uma fração

A diferença que isso faz na carreira do corretor

Multipropriedade abre a porta do litoral de alto padrão pra um público que achava que nunca teria acesso — e é um produto que cresce ano a ano nas praças turísticas. Corretor que domina o assunto vende pra um público inteiro que os concorrentes nem sabem que existe.

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📌 Este conteúdo é informativo e não substitui orientação de um advogado especializado em direito imobiliário — consulte um profissional antes de comprar ou vender uma fração de tempo. Base legal: Lei 13.777/2018 (arts. 1.358-B a 1.358-U do Código Civil). Fontes: Aurum, Dizer o Direito, Jusbrasil. Tiago Lima · CRECI-SC 34933.
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Tiago Lima
Corretor de imóveis · CRECI-SC · 10 anos de litoral catarinense · ver imóveis

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